segunda-feira, 17 de março de 2014



A inclusão do aluno com surdez na sala de aula comum


Alriene Vieira de Freitas Sarmento



Analisando a educação das pessoas com surdez percebemos que ao longo dos anos as mesmas foram tratadas como incapazes de aprender, sendo prejudicadas em seu desenvolvimento, ora pelo preconceito, ora pela falta de estímulos e/ou desvalorização do seu potencial.

Historicamente tiveram sua educação baseada na abordagem oralista - que capacitava a pessoa com surdez para utilização da língua da comunidade ouvinte, negando a diferença entre surdos e ouvintes e não admitindo a Língua de Sinais e na abordagem denominada comunicação total - que concebe a pessoa com surdez de forma natural, aceitando suas características e acreditando que sua aprendizagem não se dá apenas pelo uso da língua oral, mas pelo uso de todo e qualquer recurso linguístico.

Ambas as concepções não favoreceram o desenvolvimento das pessoas com surdez e não trouxeram os benefícios esperados. Surge então a abordagem por meio do bilinguismo, que oferece o ensino da Libras e da Língua Portuguesa no ambiente escolar, sendo a Libras considerada sua primeira língua, e a Língua Portuguesa, como segunda língua, na modalidade escrita, e quando possível na modalidade oral.

Nessa última, não há só uma preocupação apenas com o ensino desta ou daquela língua, mas com uma educação inclusiva pautada no reconhecimento e na valorização das diferenças, que desafie o pensamento e estimule a capacidade do aluno, repensando-se e discutindo as práticas pedagógicas atuais.

Nesse sentido, Damázio (2005, P. 110) vem reafirmar a importância da inclusão da pessoa com surdez na escola comum:

Por esse motivo é que defendemos a educação escolar inclusiva para pessoas com surdez, visando proporcionar-lhes oportunidade de aquisição e de construção de conhecimentos para que aprendam a viver em comunidade, sabendo atuar e interagir com seus pares, com e sem deficiência.

Sendo assim, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) orienta a construção do Atendimento Educacional Especializado (AEE), integrado a Proposta Pedagógica da Escola a qual também deve assegurar e ofertar a educação bilíngue aos alunos surdos.

Para isso, o Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez – PS deve pautar seu trabalho no reconhecimento e na valorização das capacidades desse ser. Contribuíndo para a construção de espaços bilingues e trabalhando de forma cooperativa com os professores de sala comum na orientação e no planejamento das aulas, ajudando a construir um ambiente favorável a aprendizagem.

O AEE – PS parte do diagnóstico do aluno para elaboração de um plano de atendimento, que será organizado envolvendo três momentos: O Atendimento Educacional Especializado em Libras, o AEE de Libras eo AEE para o Ensino da Língua Portuguesa, cada um oferecendo recursos e estratégias para atender as reais necessidades do aluno.

Portanto, a efetiva inclusão do aluno com surdez nas escolas comuns, só ocorrerá quando adotarmos práticas que valorizem o seu potencial, que o AEE, comunidade escolar e família, sejam parceiros na construção de um Projeto Político Pedagógico pautado no desenvolvimento de ações mais inclusivas e menos excludentes, na defesa do direito à educação para todos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.

2. DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005, p.108 – 121.