segunda-feira, 30 de junho de 2014

O AEE CONTRIBUI COM A REFORMULAÇÃO DA EDUCAÇÃO QUANDO ABRE ESPAÇO DE DIÁLOGO E COOPERAÇÃO NA ESCOLA


Ao longo da história da educação brasileira percebe-se que a educação no Brasil nunca teve um projeto totalmente brasileiro a ser desenvolvido, sempre seguiu modelos de outros países, voltados para privilegiar os interesses do grupo de maior poder econômico, onde as mudanças ocorridas foram ditadas pelos principais fatos  econômicos e políticos  de cada época.  Sendo por isso uma educação que serviu para aumentar as diferenças sociais e econômicas de nosso povo, caracterizando-se como excludente.

Como romper com esta forma de exclusão legitimada pelas políticas públicas e pelas práticas vivenciadas nos ambientes escolares? São tantas realidades distintas vividas pela sociedade... São tantos grupos excluídos... Que modelo elaborar para garantir a todos o acesso à educação? Seria isso possível? Ou será necessária a divisão dos grupos para conduzi-los em processos educacionais dessemelhantes?

Procurando refletir sobre estes questionamentos nos reportamos ao personagem Palomar, criado pelo autor Ítalo Calvino, no romance que leva o mesmo nome. Sua leitura nos mostra uma verdade inquietante: para acharmos respostas precisamos fazer perguntas, elaborar hipóteses, confrontar ideias, mobilizar mentes, desconstruir conceitos e observar o que nos rodeia. Nessa perspectiva nos empenhamos a seguir em demonstrar a evolução da inclusão das pessoas com deficiência na escola regular de ensino, grupo de pessoas que se manteve a margem da educação brasileira por muito tempo. Nos primórdios foram segregados em residências ou instituições, e aos poucos foram surgindo algumas organizações particulares, sendo uma tendência que cada uma atendesse uma deficiência específica.

Somos sabedores de que o movimento para inclusão das pessoas com deficiência na escola regular de ensino é mundial, e se constrói nas inquietudes do ser humano em busca de respostas as suas indagações, se fortalecendo nas ações de cidadania e na participação popular, que buscaram a reformulação e a criação de novas leis para garantir políticas públicas capazes de promover uma educação de qualidade para todos, assegurada na lei maior do país.

Nesse contexto, surge a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que objetiva assegurar a inclusão das pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, e que para isso encaminha ao sistema de ensino, diretrizes que contribuem com a inclusão e a permanência dessas pessoas na escola, tais como: formação continuada aos professores; garantia de acessibilidade arquitetônica; disponibilização de recursos e materiais que atendam as suas necessidades e o cria o serviço de Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Segundo a Política Nacional esse Atendimento Educacional Especializado, é ele que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. E cabe ao professor do atendimento iniciar seu trabalho a partir do ato de conhecer seu aluno, procurando através da observação do mesmo em diferentes situações, intercalando diálogos e aproximações com familiares e amigos, encontrar respostas para então preencher as lacunas da história de vida do mesmo, respondendo a perguntas que vão sendo articuladas: Quem é este aluno? O que ele gosta? Quais seus interesses? Quais suas habilidades? Que dificuldade enfrenta?

apnendenovaodessa.blogspot.com
O professor do atendimento seria assim um ser reflexivo, observador e atuante. Como Palomar, buscaria conhecimentos a cerca do aluno levantando hipóteses e analisando-as, para então encontrar o melhor método e os recursos mais adequados para contribuir com seu desenvolvimento. Cada novo aluno que atende, é um novo estudo em que se lança, pois sabe que cada um é uma pessoa singular, única, e que não terá um modelo padrão para desenvolver seu trabalho, já que os outros atendimentos realizados servirão como elementos a serem levados em conta para avaliar futuras ações no trabalho com aos alunos.

Nessa perspectiva, constatamos que a educação inclusiva se pauta no respeito às diferenças, e nos faz lançar novos olhares sobre os alunos e sua forma de aprender, nos levando  gradativamente ao rompimento do modelo tradicional da educação que se pauta na homogeneidade. Assim, para garantir que todos aprendam precisamos refletir sobre nossa prática pedagógica, rever nossas teorias e mobilizar apoio para em parceria fazer acontecer à inclusão.

Nesse contexto, o AEE é na escola um elemento importante para consolidar a inclusão, pois poderá coadunar todos os segmentos envolvidos no cotidiano escolar: aluno, família, professores e equipe pedagógica para garantir o atendimento das necessidades do aluno com deficiência e assim contribuir para seu bom desempenho na escola e na sociedade.

http://marcelazanardi.blogspot.com.br/
O AEE poderá ir além , quando investir no processo de colaboração direta com os demais professores da escola, tornar-se um articulador da formação continuada desses profissionais, contribuindo para desenvolver a autonomia de todos e especialmente vencer as barreiras atitudinais e pedagógicas existentes no ambiente escolar. Portanto não é só o professor do atendimento o responsável pelo aluno e pela inclusão, pois se espera que todos os profissionais da escola assumam a responsabilidade com uma educação que se pretenda tornar-se inclusiva. Assim reconheceremos que o atendimento não se dá em apenas uma sala com recursos tecnológicos e materiais acessíveis. Dessa forma se constrói coletivamente a escola inclusiva, que gradativamente se fortalece nas diversas ações que ocorrem nos múltiplos espaços escolares, e o Atendimento Educacional Especializado se faz parte desta escola, de sua dinâmica, se tornando indissociável neste processo.

Concluímos então que o AEE não é mais necessário na escola inclusiva? Ou apenas passa a ser realizado de uma forma melhor? Não acabamos assim, encontrando um modelo adequado, um produto final, mas deixamos como questões a serem refletidas e utilizadas na construção de uma escola democrática, universal, uma escola de qualidade. E a respeito dessa escola Mantoan (2013) nos ensina
 [...] as escolas de qualidade são espaços educativos de construção de personalidades humanas emancipadas, críticas, nos quais as crianças aprendem a ser pessoas. Nesses ambientes educativos ensinam-se os alunos a valorizar e a questionar a diferença, pela convivência com seus pares, pelo exemplo dos professores, pelo ensino ministrado nas salas de aula, pelo clima afetivo das relações estabelecidas em toda a comunidade escolar - solidário, participativo, sem tensões competitivas. (MANTOAN, 2013, pág. 104)
Nestas escolas todos os espaços se interligam e as pessoas interagem entre si, com o outro e com o objeto a ser conhecido. É um lugar onde se faz especialmente perguntas, para depois se encontrar respostas. Mas até lá, professores, pais, alunos, comunidade terão muito que refletir, questionar e investigar. Muitas teorias precisam ser revisitadas, ressignificando-as e ampliando-as na busca pela escola inclusiva que atende a todos e que respeita suas diferenças. Tudo isso passa pelo conhecimento da educação brasileira desde seus primórdios, pelos movimentos a favor e contra a inclusão das pessoas com deficiência na escola comum, pelas leis, recursos, redes de apoio, cursos e serviços especializados criados para apoiar a inclusão.

Referências Bibliográficas

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Para uma escola do século XXI. Campinas, SP: UNICAMP/BCCL, 2013. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

RECURSOS E ESTRATÉGIAS PARA ALUNOS COM TGD



RECURSOS E ESTRATÉGIAS EM BAIXA TECNOLOGIA PARA APOIAR O ALUNO COM TGD EM SEU DESENVOLVIMENTO.

Receber alunos com TGD em sala de aula está se tornando uma situação corriqueira, embora seja um impacto para o professor, devido alguns comportamentos e reações deste aluno serem realizadas de forma extremas e incompreensíveis para quem não conhece as características do aluno com TGD.
Na verdade são reações esperadas visto que são crianças na sua maioria apegadas a rotina, a locais, que apresentam movimentos corporais repetitivos, indiferença ao contato visual ou físico, com atitudes agressivas ao outro ou autoagressão. Sendo a escola um ambiente cheio de estímulos é natural que essa criança necessite de um período para adaptar-se a este situação.
Como tudo isso vem causar impacto ao professor, que sente muitas vezes angústias, impotência diante da situação, também causa no aluno que tem seu mundo modificado.
Crianças com Espectro Autista apresentam déficit na comunicação e na linguagem, como também comprometimentos nas relações sociais visto que a interação é fruto da comunicação estabelecida com o outro.
Nesse caso, de acordo com os estudos de Bez (2010), os sujeitos com estes déficits necessitam para o seu desenvolvimento que sejam ressaltado o uso de estratégias de mediação, juntamente com o uso de recursos de alta e baixa tecnologia, visando a melhoria de  sua interação social e o desenvolvimento de sua comunicação.
A narração acima, objetiva esclarecer ao professor, que o uso funcional da comunicação e da linguagem, é desafiador para as crianças com Espectro Autismo, mas com a sua inclusão na sala regular, a oportunidade de conviver com outras crianças, o uso de estratégias no fazer pedagógico, elaboradas com conhecimento do aluno e com o acompanhamento e as orientações do Atendimento Educacional Especializado, são importantes contribuições para o desenvolvimento de novas competências do aluno.
Com base nos aspectos teóricos abordados apresentamos recursos e estratégias de baixa tecnologia que podem apoiar este aluno em seu desenvolvimento.
TÍTULO DA ATIVIDADE
 Cuidando da Rotina Diária
PÚBLICO A QUE SE DESTINA
Paulo, 10 anos, aluno do 4º ano do Ensino Fundamental com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que necessita de apoio para o desenvolvimento da comunicação e da interação.

LOCAL DE UTILIZAÇÃO
 Os recursos e estratégias serão utilizados na sala de aula comum, por Paulo e demais colegas, bem como na sua casa.


REPRESENTAÇÃO VISUAL DO RECURSO UTILIZADO

QUADRO DE ROTINA DIÁRIA
ENTRADA NA SALA
ORAÇÃO
HORA DO CONTO
ATIVIDADE
LANCHE
INTERVALO
VISITA A BIBLIOTECA








                                       
                






                                                                                                                                             

Rotina ilustrada com imagens, das atividades diárias em uma 2ª feira, na Turma do 4º Ano.


                 

DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE
O uso do recurso e das estratégias tem o objetivo de ampliar o tempo de permanência do aluno na sala, para favorecer o desenvolvimento da comunicação, da linguagem e da interação.
caderno com foto do aluno
A professora prever a rotina diária da sala, com a utilização de recursos de apoio visual, como os cartões acima mostrados, confeccionados com base no cotidiano, de preferência com fotos do aluno nas diferentes situações, ações e locais onde foram vivenciadas e realizadas. Este trabalho pode ser estendido à personalização de objetos didáticos a serem utilizados pelo aluno como: caderno, livros, carteiras...
Deverá a professora procurar equilibrar as atividades realizadas pela turma, de forma a evitar grandes modificações e assim contribuir para a familiarização com o ambiente da sala, melhorando sua adaptação à rotina escolar e aumentando seu tempo em sala de aula.
Os cartões poderão ser utilizados nas situações que necessite antecipar o que vai acontecer, sendo importante verbalizar o seu objetivo, acreditando no seu entendimento.
Ainda contribuindo para estes fins de antecipar a rotina, de ampliar a permanência em sala, e como forma de favorecer o desenvolvimento da comunicação, da linguagem e da interação, a professora de sala comum, poderá lançar mão de estratégias simples como realizar atividades em pares, em que ambos possam interagir; já dispondo as carteiras de sua sala de modo a permitir os pares se observarem. Garantir o convívio com os colegas durantes intervalo, refeições, brincadeiras, favorecendo a troca e o envolvimento com o outro.

INTERVENÇÕES A SEREM REALIZADAS PELO PROFESSOR DO AEE PARA EFETIVAR O DESENVOLVIMENTO DO ALUNO
A articulação entre o professor de sala comum e o Professor de AEE permite que possam mobilizar-se na procura de recursos e estratégias a serem usados para garantir o desenvolvimento do aluno com Espectro Autista.
Neste caso o Professor de AEE acompanhará o aluno e a professora na sala de aula comum sempre que possível para orientar a profissional, colaborar na confecção dos cartões e de outros materiais, bem como estabelecer um vínculo de confiança com a família para mediar junto à mesma, à criação de uma rotina em casa para Paulo, utilizando-se de cartões, fotos e objetos representativos, para montar visualmente esta rotina e interagir através dos mesmos com seu filho.                                                  

                                                                                                                            
                                                                         
criança escovando os dentes
A Professora de AEE em permanente interlocução com a família e a professora de sala comum, devem compartilhar os progressos e insucessos do aluno para futuras  intervenções. Tendo em mente que esse é o caminho para ajudar o aluno a conseguir generalizar aprendizagens que farão parte de sua vida no cotidiano escolar, familiar e social.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Belisário Júnior, José Ferreira. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: transtornos globais do desenvolvimento / José Ferreira Belisário Júnior, Patrícia Cunha. - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza]:Universidade Federal do Ceará, 2010.v. 9. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)