O AEE CONTRIBUI COM A REFORMULAÇÃO DA EDUCAÇÃO QUANDO ABRE ESPAÇO DE DIÁLOGO E COOPERAÇÃO NA ESCOLA
Ao longo da história da educação
brasileira percebe-se que a educação no Brasil nunca teve um projeto totalmente
brasileiro a ser desenvolvido, sempre seguiu modelos de outros países, voltados
para privilegiar os interesses do grupo de maior poder econômico, onde as
mudanças ocorridas foram ditadas pelos principais fatos econômicos e
políticos de cada época. Sendo por isso uma educação que serviu
para aumentar as diferenças sociais e econômicas de nosso povo,
caracterizando-se como excludente.
Como romper com esta forma de
exclusão legitimada pelas políticas públicas e pelas práticas vivenciadas nos
ambientes escolares? São tantas realidades distintas vividas pela sociedade... São
tantos grupos excluídos... Que modelo elaborar para garantir a todos o acesso à
educação? Seria isso possível? Ou será necessária a divisão dos grupos para
conduzi-los em processos educacionais dessemelhantes?
Procurando refletir sobre estes
questionamentos nos reportamos ao personagem Palomar, criado pelo autor Ítalo
Calvino, no romance que leva o mesmo nome. Sua leitura nos mostra uma verdade
inquietante: para acharmos respostas precisamos fazer perguntas, elaborar
hipóteses, confrontar ideias, mobilizar mentes, desconstruir conceitos e
observar o que nos rodeia. Nessa perspectiva nos empenhamos a seguir em demonstrar
a evolução da inclusão das pessoas com deficiência na escola regular de ensino,
grupo de pessoas que se manteve a margem da educação brasileira por muito
tempo. Nos primórdios foram segregados em residências ou instituições, e aos
poucos foram surgindo algumas organizações particulares, sendo uma tendência
que cada uma atendesse uma deficiência específica.
Somos sabedores de que o movimento
para inclusão das pessoas com deficiência na escola regular de ensino é
mundial, e se constrói nas inquietudes do ser humano em busca de respostas as
suas indagações, se fortalecendo nas ações de cidadania e na participação popular,
que buscaram a reformulação e a criação de novas leis para garantir políticas
públicas capazes de promover uma educação de qualidade para todos, assegurada
na lei maior do país.
Nesse contexto, surge a Política
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que
objetiva assegurar a inclusão das pessoas com deficiência, transtornos globais
do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, e que para isso encaminha
ao sistema de ensino, diretrizes que contribuem com a inclusão e a permanência
dessas pessoas na escola, tais como: formação continuada aos professores; garantia
de acessibilidade arquitetônica; disponibilização de recursos e materiais que
atendam as suas necessidades e o cria o serviço de Atendimento Educacional Especializado
(AEE).
Segundo a Política Nacional esse
Atendimento Educacional Especializado, é ele que identifica, elabora e organiza
recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena
participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. E cabe
ao professor do atendimento iniciar seu trabalho a partir do ato de conhecer
seu aluno, procurando através da observação do mesmo em diferentes situações,
intercalando diálogos e aproximações com familiares e amigos, encontrar
respostas para então preencher as lacunas da história de vida do mesmo,
respondendo a perguntas que vão sendo articuladas: Quem é este aluno? O que ele
gosta? Quais seus interesses? Quais suas habilidades? Que dificuldade enfrenta?
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Nessa perspectiva, constatamos que a
educação inclusiva se pauta no respeito às diferenças, e nos faz lançar novos
olhares sobre os alunos e sua forma de aprender, nos levando gradativamente ao rompimento do modelo
tradicional da educação que se pauta na homogeneidade. Assim, para garantir que
todos aprendam precisamos refletir sobre nossa prática pedagógica, rever nossas
teorias e mobilizar apoio para em parceria fazer acontecer à inclusão.
Nesse contexto, o AEE é na escola um
elemento importante para consolidar a inclusão, pois poderá coadunar todos os
segmentos envolvidos no cotidiano escolar: aluno, família, professores e equipe
pedagógica para garantir o atendimento das necessidades do aluno com
deficiência e assim contribuir para seu bom desempenho na escola e na
sociedade.
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Concluímos então que o AEE não é mais
necessário na escola inclusiva? Ou apenas passa a ser realizado de uma forma
melhor? Não acabamos assim, encontrando um modelo adequado, um produto final,
mas deixamos como questões a serem refletidas e utilizadas na construção de uma
escola democrática, universal, uma escola de qualidade. E a respeito dessa
escola Mantoan (2013) nos ensina
[...] as
escolas de qualidade são espaços educativos de construção de personalidades
humanas emancipadas, críticas, nos quais as crianças aprendem a ser pessoas.
Nesses ambientes educativos ensinam-se os alunos a valorizar e a questionar a
diferença, pela convivência com seus pares, pelo exemplo dos professores, pelo
ensino ministrado nas salas de aula, pelo clima afetivo das relações
estabelecidas em toda a comunidade escolar - solidário, participativo, sem
tensões competitivas. (MANTOAN, 2013, pág. 104)
Nestas escolas todos os espaços se
interligam e as pessoas interagem entre si, com o outro e com o objeto a ser conhecido.
É um lugar onde se faz especialmente perguntas, para depois se encontrar
respostas. Mas até lá, professores, pais, alunos, comunidade terão muito que refletir,
questionar e investigar. Muitas teorias precisam ser revisitadas,
ressignificando-as e ampliando-as na busca pela escola inclusiva que atende a
todos e que respeita suas diferenças. Tudo isso passa pelo conhecimento da
educação brasileira desde seus primórdios, pelos movimentos a favor e contra a
inclusão das pessoas com deficiência na escola comum, pelas leis, recursos,
redes de apoio, cursos e serviços especializados criados para apoiar a
inclusão.
Referências Bibliográficas
MANTOAN, Maria
Teresa Eglér. Para uma escola do século XXI. Campinas, SP: UNICAMP/BCCL,
2013.

