A INCLUSÃO ESCOLAR
E O ALUNO COM SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
A
inclusão escolar de um aluno surdocego ou com deficiência múltipla requer uma
escola que o acolha e o veja como pessoa única que é. Cabe a esta escola elaborar
situações de aprendizagens que estimulem a constante interação deste aluno com
o meio, visando desenvolver uma autonomia na vida diária. Um trabalho que será
realizado juntamente com o Atendimento Educacional Especializado.
Para isso se faz necessário conhecer informações
e orientações específicas relativas a alunos com surdocegueira e com
deficiência múltipla, que venham a esclarecer dúvidas e trazer progressos no
trabalho desenvolvido.
A - SURDOCEGUEIRA
A criança
surdocega não é uma criança surda que não pode ver e nem um cego que não pode
ouvir. Não se trata de simples somatória de surdez e cegueira, nem é só um
problema de comunicação e percepção, ainda que englobe todos esses fatores e
alguns mais (McInnes & Treffy, 1991).
Quanto ao período em que surge a
surdocegueira, ela pode ser definida como:
a) Surdocegueira congênita: quando a criança nasce Surdocega ou
adquire a surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma
língua
b) Surdocegueira adquirida: quando
a pessoa ficou surdocega após a aquisição de uma língua, seja oral ou
sinalizada.
É importante esclarecer que quando se nasce com surdocegueira ou então se fica surdocega a
pessoa não recebe a
informação sobre as coisas que estão a sua volta de maneira autêntica, se
fazendo necessária a mediação da
comunicação
para favorecer o conhecimento de tudo que está ao seu
redor. Sua interação com o meio se dar através dos canais sensoriais
proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e
vestibular.
B - DEFICIÊNCIA
MÚLTIPLA
“O termo deficiência
múltipla tem sido utilizado, com freqüência, para caracterizar o
conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial,
mental, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório
dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de
desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social
e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.”
(MEC – 2006)
“Considera-se uma criança com deficiência múltipla sensorial aquela que apresenta deficiência visual ou
auditiva, associada a outras condições de comportamento e comprometimentos,
sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldades de
aprendizagem.” (MEC/SEESP/2006).
C - NECESSIDADES DAS PESSOAS COM
SURDOCEGUEIRA E COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
Esse grupo de pessoas apresentam características
específicas e necessidades que são únicas, e que quando conhecidas por todos
que os cercam, podem criar oportunidades e eliminar possíveis barreiras. Destaque
para:
· O favorecimento do desenvolvimento do esquema
corporal é de extrema importância porque é por meio do corpo que se descobre o
mundo e a si mesmo;
· A disponibilização de recursos para favorecer a
aquisição da linguagem verbal ou gestual para que possa responder
significativamente ao meio;
- O desenvolvimento de um trabalho que implique em colocar estas pessoas em constante interação com o meio, estimulando-os a se comunicarem e explorarem o ambiente;
·O estabelecimento de uma ação mediadora com o
objetivo de ampliar o conhecimento do mundo que o cerca, proporcionando-lhe
autonomia e independência.
D - ESTRATÉGIAS PARA AQUISIÇÃO DE COMUNICAÇÃO
Aprendemos a comunicação através
da necessidade de interagir com o outro ou com o meio, podendo esta comunicação
ser feita de várias formas. É, portanto um aspecto importante no trabalho com
crianças com surdocegueira ou deficiência múltipla.
IKONOMIDIS (2008) nos confirma a
importância da comunicação quando diz que Comunicação é a troca de informação
entre duas ou mais pessoas. É uma troca recíproca entre indivíduos
que envolvem um padrão natural de dar-e-receber iniciação e resposta.
Para que a aquisição da comunicação ocorra e sejam alcançados os objetivos no caso do trabalho com crianças com
surdocegueira ou deficiência múltipla, é importante reconhecer que:
· O
movimento corporal
e as vocalizações são formas iniciais de comunicação;
·
As rotinas
organizadas favorecem sua aprendizagem;
· As caixas de antecipação (guarda os objetos de referências que possam ter significados
para a criança) são utilizadas para se comunicar
em diferentes situações;
·
O uso da técnica mão sobre mão é uma importante forma de estabelecer comunicação com
crianças surdocegas;
·
O ambiente de trabalho deve ser planejado e
organizado de forma a favorecer a sua interação com os objetos e pessoas deste
local;
·
Presença de um mediador durante o processo de
comunicação capaz de antecipar e/ou oferecer pistas necessárias a comunicação e
a exploração do ambiente;
·
É necessária uma boa adequação postural para que
se possa fazer uso de gestos ou movimentos favoráveis à comunicação;
·
Contar com o Atendimento Educacional Especializado
(AEE) para melhoria da qualidade de vida através de atividades que estimulem
suas habilidades comunicativas;
·
A utilização do tato para antecipar sensações e
fazer relações de objetos com suas funções.
Para incluir os alunos com
surdocegueira e deficiência múltipla é necessário mais do que acolher este
aluno, é preciso repensar os espaços escolares e sua organização; se faz
urgente refletir sobre as propostas pedagógicas viáveis para o desenvolvimento
da aprendizagem dessas crianças e a parceria com a família para eliminação de
barreiras que impeçam o desenvolvimento do aluno.
REFERÊNCIAS
· Bosco, Ismênia Carolina Mota Gomes.A Educação
Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar : surdocegueira e deficiência
múltipla / Ismênia Carolina Mota Gomes Bosco, Sandra Regina Stanziani Higino
Mesquita, Shirley Rodrigues Maia. - Brasília : Ministério da Educação,
Secretaria de Educação Especial ; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará,
2010.
· Folheto
FACT 3 – COMMUNICATION / Primavera 2005 - Lousiana Department of Education
1.877.453.2721 State Board of Elementary and Secondary Education. Tradução:
Vula Maria Ikonomidis. Revisão: Shirley Rodrigues Maia. Junho de 2008.
·
Ikonomidis,
Vula Maria. Apostila sobre Deficiência Múltipla Sensorial.
·
Serpa, Ximena. Apostila sobre comunicação para
pessoas com surdocegueira