sábado, 30 de novembro de 2013

Audiodescrição----Transformando imagens em palavras

AUDIODESCRIÇÃO ___Transformando imagens em palavras

_________O que é
“A audiodescrição é uma atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos.”                                                      (Lívia Motta)

_________A quem beneficia esse recurso                                                         
Este recurso além de beneficiar as pessoas com deficiência visual amplia também a compreensão de pessoas com deficiência intelectual e sem deficiência, idosa e pessoas com dislexia.

_________Audiodescrição na escola
O professor pode descrever as inúmeras imagens presentes em sala de aula como ilustrações nos livros didáticos e de história, gráficos, mapas, vídeos, passeios, entre outros, sem precisar de equipamentos, mas consciente da importância de verbalizar aquilo que é visual, o que certamente irá contribuir para a aprendizagem de todos os alunos, independente de ser vidente ou não.

_________O uso da descrição em sala de aula
_________Atividade com tirinhas

As tirinhas são um gênero textual muito aceito entre as crianças, pois elas são como as histórias em quadrinhos, ou seja, utiliza-se de quadros para narrar um fato. Quadros estes que contém desenhos e, na maioria das vezes, as falas estão nos balões.

Você pode desenvolver a atividade na sala de aula regular com toda turma ou na sala de recursos multifuncionais em grupo ou individualmente. Poderia imprimir a imagem da tirinha em tamanho ampliado e colocá-la em um cartaz. A professora apresentaria a tirinha e leria a descrição da mesma contemplando assim todos os alunos.


·        Veja um exemplo de como você pode descrever as tirinhas para os alunos cegos ou com baixa visão:


Tirinha disponível em: 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10538&Itemid=
Fonte: 
AEE 2013


Legenda: tira cômica, sem título, com a personagem argentina Mafalda, do cartunista Quino.

Descrição: a tirinha colorida, com 4 quadros, mostra Mafalda, uma menininha de aproximadamente 7 anos, com blusa vermelha de gola branca, laço vermelho no cabelo preto com franja, lendo um livro, que está sobre uma mesa redonda. Suas falas estão dentro de balões.

Q1: Mafalda debruçada sobre o livro, com a mão segurando o rosto, lê: Ema vê a mesa da sala de estar.
Q2: Mafalda vira-se para o lado e pergunta: Mamãe, o que é sala de estar?
Q3: Sentada à mesa, com as mãos sobre o livro, ela escuta a resposta: É living. Ela responde: Ah, bom!
Q4: Mafalda, com a testa franzida e debruçada sobre o livro e a mão segurando o rosto, reclama: Afinal, por que eles não escrevem esses livros na língua da gente?

 _______Uso pedagógico
O uso da descrição em sala permite que os alunos interajam com o texto, aumentando as possibilidades de sucesso na realização das tarefas. Podendo ser exploradas em atividades envolvendo linguagem oral, leitura, produção de texto e análise da língua. Além disso, a pessoa com deficiência visual poderá criar imagens mentais, o que leva a uma melhor compreensão da temática abordada na tirinha.

A descrição tem enfim o objetivo de sensibilizar o aluno, despertá-lo e levá-lo a imaginar o ambiente contido naquela fala. Por fim, acreditamos que se aprende por meio de práticas significativas.




Referências bibliográficas:
BRASIL. Nota Técnica, Nº 21. Orientações para descrição de imagem na geração de material digital acessível - Mecdaisy. MEC/SECADI/DPEE, 2012











quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Um convite...


Aproveite um pouquinho do seu tempo e assista ao filme “Vermelho como o céu”. Um Filme italiano que foi produzido em 2006. Ela narra à história de um Mirco, um garoto de 10 anos que durante suas explorações e descobertas sofre um acidente e perde a visão. Estudante de uma escola pública foi rejeitado pela mesma porque não o considera uma criança normal. Então ele vai estudar num instituto para cegos. Passa por momentos difíceis, mas também, junto com os amigos que conquista no Instituto e com Francesca, descobre e ajuda aos outros a descobrirem novas possibilidades de ver o mundo.

Um filme maravilhoso... Desconcertante... Motivador... Que com simplicidade nos toca o coração, nos faz perceber nossos sentimentos e nos ajuda a compreender a importância do respeito pelo outro, pela sua capacidade de se expressar, de viver!

sábado, 19 de outubro de 2013



Os jogos e a aprendizagem do aluno com deficiência intelectual

A escola inclusiva deve pautar seu ensino na concepção de que todos os alunos são capazes de aprender e que aprendem de diferentes maneiras, cabendo ao professor conhecer seu aluno, descobrir como ele aprende melhor e procurar favorecer esta aprendizagem.
Nesse contexto o professor para atender a criança com deficiência intelectual deve organizar todo o seu trabalho de maneira que possa estimular ao máximo o desenvolvimento das habilidades cognitivas, motoras e sensoriais desta criança, fazendo uso de diferentes estratégias metodológicas, materiais pedagógicos, atividades práticas e/ou lúdicas que mobilizem seus mecanismos de aprendizagem (motivação, atenção, memória, transferência e metacognição).
Assim gostaríamos de ratificar a importância do uso dos jogos para favorecer a aprendizagem da criança com deficiência intelectual, visto que os jogos contribuem para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo, bem como o desenvolvimento da linguagem e das interações sociais. Ou seja, proporcionam a criança vivenciar situações de aprendizagem que desenvolvem a concentração, a atenção, a imaginação, a confiança e a autoestima.

Sugestão de jogo: História em Quadrinhos

Nylse Helena S. Cunha: Criar para brincar.














A.          Como montar o jogo

·                    Uma tira de cartolina com 7 cm de largura, riscada no sentido vertical, de 16 em 16cm.
·                    Figuras selecionadas de revista colocadas em sequencia na tira de cartolina, para formar uma história, de acordo com o seguinte critério: uma figura é colada no meio do espaço de 16 cm, entre os dois riscos verticais, e a figura seguinte é colada sobre o risco.
·                    Depois serão cortadas nos lugares onde foram traçados os riscos, separando a figura ao meio e interrompendo a sequencia.

B.           Descrição do jogo

O jogo consiste em um quebra cabeça a partir de uma história sequenciada em quadrinhos, o qual poderá ser realizado em grupo ou individualmente, sob a mediação e acompanhamento do professor.
O jogo poderá ser utilizado tanto na sala de recursos multifuncionais como na sala regular, de acordo com os objetivos traçados pelo professor.

C.           Exploração do jogo

·                    O professor dispõe sobre a mesa as peças relativas ao jogo e pede aos alunos que manuseiem as peças;
·                    Explora com os alunos as imagens das peças, fazendo indagações sobre as figuras que se encontram incompletas e/ou completas;
·                    Discute sobre o que é necessário para montar as imagens;
·                    Solicita aos alunos que monte a sequencia da história juntando as figuras separadas pelo recorte;
·                    Solicita aos alunos que desmonte e monte de novo destacando a importância da sequencia das cenas;
·                    Discute com os alunos o que acontece em cada cena;
·                    Pede aos alunos que narre a história.

D.          O que a utilização do jogo favorece

·                    Favorece o desenvolvimento da linguagem e da interação com os colegas e professor.
·                    Estimula o pensamento lógico, sequencia lógica e a discriminação visual.
·                    Contribui para desenvolver a atenção e a concentração dos alunos.
·                    Permite ao aluno ordenar, estruturar e elaborar estratégias para resolver o problema.

E.           Avaliação e anotações

O professor da sala de recursos deve avaliar a realização da atividade analisando:
·                    Como o aluno executou a tarefa (houve interação, participação)?
·                    Como ele reagiu às indagações feitas durante a realização da tarefa?
·                    O aluno expressou-se oralmente de forma coerente?
·                    O que ele mais gostou de realizar? E o que não gostou?
·                    O tempo foi adequado a realização da tarefa?


O professor pode reformular o jogo ou confeccioná-lo de acordo com o que deseja desenvolver, pois o mesmo deve está de acordo com os objetivos traçados para o aluno. Poderá ainda usar imagens do dia a dia do aluno, valorizando o contexto onde está inserido, bem como seus conhecimentos prévios.
Outro fator importante é o registro da história narrada, que caso o aluno não tenha ainda o domínio da escrita o professor pode solicitar que um escriba faça o registro.





Fontes:
·         O Lúdico e o Desenvolvimento da Criança Deficiente Intelectual. Sônia Regina Corrêa Mafra. 2008
·         Atendimento Educacional Especializado e o aluno que apresenta Deficiência Intelectual. Coordenação da Disciplina: Adriana Limaverde. Supervisoras de Conteúdo: Maria Rejane Araruna e Rosa Maria Corrêa.




sábado, 7 de setembro de 2013

Tecnologia Assistiva

Aos leitores deste blog

O que nós professores, pais e gestores podemos oferecer aos alunos para facilitar o acesso ao conhecimento e a sua participação na sala de aula?
Podemos oferecer recursos pedagógicos e de acessibilidade que garantam aos alunos com deficiência participar ativamente do convívio escolar, familiar e social com autonomia.

Os recursos de acessibilidade fazem parte da Tecnologia Assistiva (TA) que fornece além desses, os serviços e as estratégias usadas com o objetivo de auxiliar na resolução das dificuldades funcionais dos alunos com deficiência ao realizar as suas tarefas.

 Como escolher os recursos de TA
  •  Conhecer o aluno (as necessidades e habilidades)
  •  Observar e identificar as barreiras que o impedem de participar das tarefas no meio onde está inserido     Elaborar o plano de atendimento
  •  Selecionar ou construir os recursos
  •  Avaliar o uso dos recursos selecionados
Todo esse trabalho será realizado pelo Professor de AEE em parceria com o professor de sala comum, com a família e outros parceiros que julgar serem necessários.

Vejamos um exemplo prático

Situação Problema:

“Aluno com paralisia cerebral que apresenta dificuldade na fala, na coordenação motora, pega objetos com firmeza e possui movimentos voluntários limitados.”
Como o aluno poderá estabelecer uma comunicação com o outro, manifestando sua opinião a respeito do que ocorre ao seu redor?

Sugestão de recurso de Comunicação Aumentativa e Alternativa a ser usado

Cartões de Comunicação

  • São confeccionados com vocabulário variado e devem estar à disposição do usuário e dos parceiros de comunicação.
  • É considerado um recurso de baixa tecnologia e pode ser elaborado a partir de temas variados para que o aluno possa lançar mão dos cartões quando sentir necessidade.
  • Podem ser utilizados pelo aluno na sala de recursos, na sala de aula regular e na vida diária.
  • O usuário pode apontar o cartão que escolheu para representar sua resposta ou responder de outra forma conforme o professor de AEE já identificou suas habilidades nessa área.
  • Sendo importante o cuidado com a definição do vocabulário para que contemple diversas situações do cotidiano escolar relativas aos conteúdos e as atividades pedagógicas a serem propostas. 



Descrição de imagem:     
A imagem apresenta vários cartões de comunicação com símbolos gráficos representativos de mensagens. Os cartões estão organizados por categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura diferente: cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais, (visualiza-se o símbolo "tchau"); amarelo são os sujeitos, (visualiza-se o símbolo "mãe"); verde são os verbos (visualiza-se o símbolo "desenhar"); laranja são os substantivos (visualiza-se o símbolo "perna"), azuis são os adjetivos (visualiza-se o símbolo "gostoso") e branco são símbolos diversos que não se enquadram nas categorias anteriormente citadas (visualiza-se o símbolo "fora").

Competência operacional a ser desenvolvida no aluno

O aluno ao usar o recurso em diferentes situações se apropria do mesmo e passa a usá-lo como forma de expressar sua opinião, seu conhecimento, seus desejos, saindo assim da condição de um ser passivo para uma nova posição: Um ser agente de transformação.

Competência funcional do recurso para o aluno

São os efeitos que os recursos de comunicação provocam no contexto real da escola e fora dela. O aluno passa a interagir com os outros podendo se comunicar em diversas situações dentro ou fora de sala de aula. Os seus parceiros nesse trabalho com os recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa ajudam a ampliar as suas habilidades de comunicação e de expressão através de situações práticas que necessitem de interagir com o aluno.
 O Quadro de símbolos é utilizado para mostrar as crianças uma forma alternativa de comunicação (cartões de CAA)

Avaliação

O professor de AEE deverá avaliar constantemente o uso dos recursos de TA, fazendo as modificações necessárias a partir do que ele observou, do que o aluno sinalizou e também da avaliação feita pela professora de sala comum.

REFERÊNCIAS:
SARTORETTO, Mara Lúcia; BERSCH, Rita de Cássia Reckziegel. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa. Brasília. MEC/UFC, 2010. V. 6. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)